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Tecnologia de ponta para o aneurisma 27 de Setembro de 2002 - Há cerca de duas semanas, o Brasil passou a integrar o rol dos países autorizados a aplicar tecnologia de ponta no tratamento de alguns tipos de aneurismas cerebrais. Três neuroradiologistas intervencionistas brasileiros - Ronie Leo Piske, do Hospital Beneficência Portuguesa, José Maria Modenesi Freitas, do Hospital Santa Rita, e Michel Frudit, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) - concluíram recentemente o processo que os habilita a empregar aqui a técnica utilizada desde janeiro na Europa.Segundo o médico Frudit, a nova tecnologia, desenvolvida na França, representa um avanço justamente porque se destina a tratar um tipo de aneurisma que não é facilmente debelado com o tratamento convencional, ou seja, a cirurgia. "O novo procedimento, que recebeu do fabricante o nome de Onyx, se aplica com mais sucesso a aneurismas gigantes, que resistem ao tratamento cirúrgico", explica o especialista da Unifesp. O tratamento consiste numa espécie de polímero que é injetado no paciente. Uma vez no organismo, o material se solidifica e, desta forma, preenche o espaço dilatado da artéria, reparando o vaso danificado. "No ponto em que há o endurecimento do material, o sangue não passa." Para evitar que o produto injetado se espalhe pelo organismo, um balão é inflado na artéria afetada, dando a possibilidade de que esta se restaure. A técnica evita que o paciente tenha o crânio aberto, o que ocorre nas intervenções clássicas.Frudit explica que o aneurisma é uma dilatação da parede da artéria. "Ele começa com um enfraquecimento do vaso, que se dilata progressivamente." O aneurisma pode ocorrer em qualquer artéria do corpo. O Onyx se destina a tratar o problema na região do cérebro. A doença, por razões ainda desconhecidas, costuma ser mais freqüente em mulheres, numa proporção de quatro para um em relação ao sexo masculino. O aneurisma, segundo o médico da Unifesp, demora um tempo para se formar. Por isso, as manifestações hemorrágicas costumam ocorrer entre os 40 e os 60 anos de idade. "O risco de hemorragia é cumulativo. Ele cresce entre 2% a 4% ao ano", alerta o especialista. De forma geral, o aneurisma é diagnosticado depois que a pessoa sofre uma hemorragia, muitas vezes com graves seqüelas. Estima-se que apenas 1/3 desses pacientes volte a ter uma vida normal depois da doença. Os demais ficam incapacitados - dependendo da região afetada - ou morrem. Os sintomas que precedem o derramamento de sangue podem ser uma dor de cabeça súbita ("uma espécie de paulada na cabeça", compara Frudit), perda da consciência e convulsão. Em alguns casos, o paciente tem morte imediata. Até o surgimento da técnica francesa eram duas as formas de se enfrentar o aneurisma: por meio da craniotomia, para a aplicação de um clipe na artéria, e por via endovascular, para a instalação de uma espiral no ponto atingido, a fim de que a hemorragia fosse contida. O polímero, assim como a espiral, são levados até o aneurisma por via endovascular - por meio de um cateter. Até agora, 250 pacientes foram tratados com sucesso na Europa por meio do novo procedimento. "A aplicação da técnica por via endovascular leva cerca de três horas para ser concluída, contra cerca de oito horas da craniotomia, uma cirurgia em que o crânio é aberto", explica Frudit. "Os riscos são bem menores com a aplicação endovenosa." Apesar do avanço que o Onyx representa, Frudit é parcimonioso ao comentar a eficácia do tratamento. "Ele deve ser usado com restrição e é preciso ter bem claro que não é um tratamento que substitui com sucesso os outros disponíveis. Ele é mais uma opção contra o aneurisma de grande extensão." Para receberem a habilitação referente à técnica européia, os três médicos brasileiros realizaram há duas semanas a oitava cirurgia para tratamento do aneurisma. Todos os pacientes tratados sofriam com aneurismas complexos, que não poderiam ser vencidos com outra técnica endovascular nem com cirurgia convencional. O procedimento com aplicação do polímero mostrou-se eficaz em todos esses casos. Uma das pacientes, inclusive, já havia sofrido duas hemorragias e seu estado era considerado bastante grave. Um procedimento ainda bastante caro, o emprego do polímero, estima Frudit, deve baratear com o tempo. A próxima etapa será estender o benefício a todos, com o pagamento da técnica pelo Sistema Único de Saúde (SUS). |
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